"Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna." 2 Tm 2.10

terça-feira, 31 de maio de 2011

NADA ME FALTARÁ!

"O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará" (Livro dos Salmos 23:1)

Este é um dos versículos bíblicos mais famosos e repetidos no mundo inteiro; encorajador, consolador, é a certeza e a confiança de que Deus mandará as provisões necessárias à nossa subsistência – material e espiritual. Apesar de simples, contém um indispensável pressuposto e uma declaração tácita da Soberania divina.

Quando dizemos "o Senhor é o meu Pastor", estamos declarando uma relação de bilateralidade: Ele é o meu Pastor e eu sou Sua ovelha, ou seja, apenas aqueles que professam o Senhorio absoluto de Deus sobre suas vidas podem declarar o "nada me faltará". Precisamos estar seguros nas mãos do nosso Redentor – Jesus Cristo -, para legitimar a assertiva.

A última parte do versículo pode dar margem a interpretações errôneas. "Nada me faltará" não significa, em momento algum, que Deus nos fará ricos e prósperos; como Seus filhos, passaremos por aflições, mas teremos sempre ajuda do Alto. Só em Jesus podemos descansar em meio às tempestades. "Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: com que nos vestiremos? (...) pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas [estas coisas];" (Mateus, 6.31, 32b).


Tudo o que temos – cônjuge, filhos, moradia, emprego, saúde, irmãos, nossa vida etc. – pertence ao Senhor, sem exceção. Se somos agraciados com essas coisas, é preciso compreender que também há a contrapartida, isto é, devemos administrá-las com zelo, responsabilidade e amor, visto que não nos pertencem; somos meros administradores. Não devemos nos preocupar se a situação dos outros é mais favorável que a nossa, pois é um ledo engano acreditar no que o olho humano vê.


Pela fé, enxergamos com olhos águia; por ela devemos seguir, e por ela somos mais que vencedores. "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe (...)" (Hebreus, 11:6).




Autora: Ana Oliveira
Fonte: http://www.paoquentediario.com.br/pqd/2011/pqd_dia.htm

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tempestade nossa de cada dia!

"...Compeliu Jesus os discípulos a embarcar...entretanto, o barco já estava longe, muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário... Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo.Sou Eu. Não temais". (Evangelho de Mateus 14. 22a,24a,27)

A vida cristã é uma experiência de provação constante. A verdadeira pregação do Evangelho pode garantir vida eterna, mas jamais poderá garantir que não haverá tempestades enquanto estivermos nesse mundo. A referência acima retrata um momento muito difícil - uma tempestade - vivido pelos discípulos do Senhor, homens do mar, enquanto Ele se ausentara para orar, e eles se encontravam remando em águas conhecidas...

Provavelmente esta seja a nossa realidade nesse momento. E mesmo tentando seguir Jesus, nos encontramos em meio a uma insustentável tempestade, diante de um dilema: parar ou continuar remando, obedecendo... "Ah, finalmente, Senhor, quando isso vai terminar, aonde este barco vai nos levar?". É certo que obediência gera bênção, mas foi Jesus Quem mandou entrarem no barco. É fácil entender quando sofremos por ter feito algo errado. Mas, quando acontece o contrário... é muito difícil aceitar com mansidão.

A verdade é que quem faz o que é certo também sofre. E quando a tempestade chega e alcança o mar da nossa vida, muitas vezes buscamos o Senhor Jesus, mas só encontramos escuridão... O que quer nos ensinar Jesus quando demora tanto a responder? "As lágrimas podem durar a noite inteira, mas a alegria vem na aurora" (Salmos 30.5). Literalmente, foi esta a lição que os discípulos aprenderam no meio daquele mar revolto. Ah, o Senhor nunca se atrasa; Seu livramento chega, muitas vezes no limite... mas chega!

"Ah, Jesus, tem nos faltado tantas coisas! Muitos não têm nem emprego, o divórcio bate à porta, temos perdido nossos filhos e todo o possível já foi feito... não há mais jeito... temos buscado enxergar o Senhor em meio as tempestades pessoais, mas, estamos muito cansados"...

"Não fará Deus justiça aos Seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?" (Lucas, 18.7).

O que fazer enquanto a tempestade não passa? Remar e obedecer; obedecer e remar! Muito embora nos pareça desafiador demais, precisamos entender que mesmo quando não O ouvimos, Ele está falando. Urge entedermos que os nossos desastres e tempestades não pegam o nosso Mestre de surpresa, e que todos os nossos dias já estão escritos... É nisso que reside a nossa esperança: em saber que o Deus da história também é o Deus da tempestade... é Ele Quem faz a pior tempestade não durar para sempre...

Creia nisso!

Autor: Reverendo Ricardo Vasconcelos
Fonte: http://www.paoquentediario.com.br/pqd/2011/pqd_dia.htm

domingo, 15 de maio de 2011

A Vitória da Igreja e as Duas Grandes Ceias

Vindas são as bodas do Cordeiro!" Que tema para o cântico da multidão! E João ouve-os proclamando louvores. É, na verdade, um grito de triunfo. O grande sistema do mal e do engano está vencido. A grande e orgulhosa Babilônia está agora em desolação, e os santos estão prestes a receber sua final recompensa.

Do trono ali presente ecoa uma ordem festiva, convocando os servos de Deus e a todos os que O temem, tanto grandes como pequenos, para fazerem ouvir suas vozes em louvor. Esse coro é como o som "de muitas águas" e como "a voz de grandes trovões". Eles clamam, em triunfo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina.”

Apocalipse 19

Costumes Matrimoniais no Oriente.

Este explodir de júbilo é uma das mais sublimes passagens de toda a Escritura. Para entendermos melhor isto, devemos analisá-lo na situação de um casamento de acordo com os antigos costumes do Oriente. Em primeiro lugar, havia os esposais, considerados mais um ato do que o "compromisso" de nosso costume ocidental. A seguir, dava-se o pagamento do dote de casamento, uma parte importante do contrato. Após isto, vinha o período de preparação pessoal da parte da noiva, enquanto o noivo preparava a casa.

O casamento não era realizado na igreja, como estamos acostumados, mas era uma cerimônia singela em que o noivo dava um reconhecimento público de seu direito à noiva. Isto era realizado ao lançar ele sua capa ao redor do ombro da noiva, enquanto o acompanhamento se deslocava ao longo da estrada em que a festa nupcial devia ser realizada.

A festa nupcial, ou ceia das bodas, era um acontecimento espetacular, durando, às vezes, dias e mesmo semanas. O pai do noivo providenciava essa festa, e esta era costumeiramente realizada na casa do pai. Era uma ocasião de honrar a seu filho e, no caso de um casamento real, o rei às vezes dava um banquete a uma cidade ou a toda província, em homenagem ao jovem casal, como um sinal de afeição e honra. Este regalo, costumeiramente se realizava antes do casamento.

Quem é a Esposa?

Em Apocalipse 21:9 e 10 a esposa é claramente definida como sendo a Santa Cidade, a Nova Jerusalém. Em outros textos, porém, é a igreja chamada "esposa". No Apocalipse, a esposa é mencionada como ataviada em "linho fino, puro e resplandecente, sendo isto chamado "a justiça dos santos" - uma figura dificilmente aplicável a uma simples cidade material. (Apocalipse 19:8).

Há qualquer contradição aqui? - Absolutamente, não. A cidade é a esposa, mas uma cidade sem habitantes é apenas um aglomerado de edifícios e ruas. É o povo que ocupa a cidade, que reside em seus edifícios, que faz da cidade o que ela é. E a nova Jerusalém, com seus muros de jaspe e ruas de ouro, toda radiosa com a glória de Deus, deve ficar repleta de justos de todas as eras.

E mais, a Cidade Santa não é apresentada no Apocalipse como esposa até que todos os santos a estejam habitando.

Paulo chama a Jerusalém celestial "a mãe de todos nós". (Gálatas 4:26). Assim ele compara a igreja aos filhos da esposa. Nosso Senhor faz o mesmo quando fala de Seu povo como "os filhos das bodas". (Marcos 2:19). Em Suas parábolas, Ele assemelha a igreja a convidados a um banquete (Mateus 22:11), noutra ocasião, comparou-a a "dez virgens", ou damas de honra (Mateus 25:1). Essas diferentes ilustrações são usadas para ensinar lições importantes. Não se trata de contradição. É antes um novo modo de revelação divina. Precisamos delas para ter uma idéia completa do quadro.

Desde o início da história humana, Deus tem procurado súditos para Seu reino. Quando Adão pecou, Satanás, o sedutor do homem, reivindicou os reinos deste mundo. Mas, na "plenitude dos tempos", Deus mesmo veio na pessoa de Seu Filho "para buscar e salvar o que se havia perdido", e pelo sacrifício de Sua própria vida, o Filho recuperou a posse perdida. Ele é o Redentor ou o Resgatador celestial. E não devemos esquecer nunca que "Deus estava com Cristo, reconciliando consigo o mundo". (II Coríntios 5:19).

Antecipando o tempo em que o reino será de novo restaurado em favor da raça perdida, Deus, através de todos os séculos, tem estado a chamar os homens para que deixem os seus pecados e entrem em associação com Ele. Nas Escrituras, o relacionamento entre Deus e Seu povo tem sido muitas vezes ilustrado pela relação entre marido e mulher.

Isaías 54:4 e 5 Isaías 62:5 Jeremias 2:32; 6:2 Efésios 5:32 Oséias 2:19 e 20 Mateus 9:15 João 3:29 II Coríntios 11:2 A mais bela ilustração desta revelação do amor de Deus por Seu povo, no entanto, encontra-se na história de Abraão enviando seu servo para procurar uma esposa para Isaque, seu filho. (Gênesis 24).

Quando Deus chamou a nação de Israel, falou disto como de um noivado. "Desposar-te-ei em justiça", Ele disse. (Oséias 2:19). Alguns separam esses textos, procurando aplicá-los tanto a Israel como nação, como à igreja à parte de Israel, dependendo do ponto de vista particular do interpretador. Deus sempre teve uma só igreja - formada de todas as nações e reunida como um todo de cada geração de homens.

Em Atos 7:38, lemos sobre a igreja no deserto". Esta igreja era definitivamente composta daqueles a quem Moisés tirou do Egito. Eram parte da verdadeira igreja de Deus, igreja esta que existe desde os dias de Adão. Por esta esposa, ou igreja, o Esposo celestial pagou um dote muito mais valioso do que ouro ou pedras preciosas. Este dote foi o Seu próprio sangue, por Ele voluntariamente derramado.


Após Seu sacrifício, veio o intervalo de separação, quando Ele voltou para a casa de Seu Pai, tempo durante o qual a esposa devia preparar-se. Ela devia ser vestida de "linho fino, puro e resplandecente", que é "justiça dos santos". (Apocalipse 19:8; Apocalipse 7:13).


Enquanto a noiva se prepara, o Noivo está-lhe preparando um lugar. "Vou preparar-vos lugar", Ele disse: "E se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e voz levarei para Mim mesmo." (João 14:2 e 3). Oh, bendita recepção, quando formos chamados para o Seu lado!


Em Cristo fomos escolhidos desde a eternidade. (Efésios 1:4; II Timóteo 1:9). Ao longo de todas a dispersão do Velho Testamento, as bodas têm sido anunciadas. Quando o Filho de Deus assumiu nossa carne, ela teve sua efetivação. Quando Ele Se sacrificou no calvário, o dote foi pago. Desde que Ele ascendeu ao Céu, a esposa tem estado a preparar-se, e o Esposo a preparar-lhe um lar - a Nova Jerusalém. Logo Ele virá e a chamará para que ocupe o lugar para ela preparado.


Antes que Ele deixe as cortes de glória, depois de haver concluído Sua intercessão, virá perante o Pai, o Ancião de Dias, sendo-Lhe aí dado o "domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem." (Daniel 7:13 e 14). Então é feito o anúncio: "Alegremo-nos, e regozijemo-nos, e demos-Lhe glória, porque são vindas as bodas do Cordeiro, e já a Sua esposa se aprontou." (Apocalipse 19:7).

Se consideramos a Santa Cidade como esposa, então sabemos que ela está pronta. Mas resta aos habitantes dessa cidade preparar-se, pois logo o Esposo surgirá com toda a autoridade do Céu, ao vir como Conquistador para reclamar o que Lhe pertence.


O apóstolo, descrevendo essa cena, diz: "E vi o Céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-Se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça." (Apocalipse 19:11 e 14). Notai a palpitante descrição da vinda do Rei como se encontra nos versos 12 e 13: "Seus olhos eram como chama de fogo; Sua cabeça estava adornada com muitas coroas, ou diademas; Suas vestes estavam salpicadas de sangue, e Ele portava o título: "Rei dos reis e Senhor dos senhores!


Não admira que os ímpios se assombrem, que os não preparados habitantes da Terra fujam para as rochas e as montanhas, pedindo para serem escondidos "da face dAquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro!" (Apocalipse 6:16). Em contraste com isto está a expectante esposa - a igreja. A promessa é: "Bem-aventurado os que são chamados para as bodas do Cordeiro." (Apocalipse 19:9). Quando o Esposo vier, Ele tomará o Seu povo e conduzirá de volta ao reino de Seu Pai, onde participarão da ceia das bodas. Olhando para esse tempo, Jesus disse: "Não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de Meu Pai." (Mateus 26:29).


Quando Ocorrem as Bodas?


Terminado Seu ministério intercessório, Jesus vem perante o "Ancião de Dias" para receber o reino e o domínio pelos quais morreu. (Daniel 7:13). Isto representa, na realidade, as bodas do Cordeiro, e ocorre antes que Ele volte à Terra para buscar os Seus santos, os quais arrebatados para encontrá-Lo, são então levados para "as bodas do Cordeiro" na casa do Pai. (Apocalipse 19:7 a 9).

Jesus disse: "Estejam cingidos os vossos lombos e acessas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor quando houver de voltar das bodas." (Lucas 12:35 e 36) - Ver Primeiros Escritos, págs. 55, 251 e 280; O Grande Conflito, págs. 426 a 428.


Os expectantes santos são a esposa para quem Ele volta. O reino e os súditos do reino são uma coisa só. Como convidados, eles vão para a festa de bodas; como a esposa, partilham os presentes nupciais outorgados pelo Pai como sinal de Sua afeição quando "o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu, serão dados aos santos do Altíssimo." "Chegou o tempo em que os santos possuíram o reino." Maravilhosa possessão! Vem depressa, grande dia de Deus!

Uma Segunda Ceia.

Os versos finais do capítulo 19 trazem à cena outra ceia. Não é uma festa nupcial de alegria e vitória como a que se celebra quando os justos entram à presença do Pai, mas é a trágica ceia das aves de rapina que vêm alimentar-se da carne dos ímpios, esses que, havendo rejeitado o convite para a ceia das bodas do Cordeiro, são destruídos pelo resplendor da presença de nosso Senhor. Os dias em que vivemos são dias de preparo.

Enquanto o povo de Deus está se preparando para encontrar o seu Senhor em paz, as nações da Terra preparam-se para a guerra e o derramamento de sangue. Aqui está o chamado que sai para as nações: "Santificai uma guerra; suscitai os valentes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra." (Joel 3:9). O slogan de nossos dias parece ser: Fale de paz, mas prepare-se para a guerra. Certamente a seara está pronta para a ceifa.


Um Abrigo Seguro.


Logo, a besta e o falso profeta - os dois grandes sistemas de engano - serão finalmente lançados no fogo consumidor de Deus (Apocalipse 19:20), e os ímpios, por tanto tempo ousados e desafiadores, serão então destruídos "pelo resplendor de Sua vinda".

Trazidos de medo, os ímpios vêem o Senhor vindo em majestade e poder, e correm para os abrigos das rochas e para o topo das escarpadas montanhas, por temor do Senhor e da glória de Sua majestade, "quando Ele Se levantar para sacudir terrivelmente a Terra". Palácios altivos e edifícios considerados à prova de fogo, derreterão como piche. A única coisa que resistirá nesse dia será o caráter piedoso. Foi o caráter e a experiência cristã o que faltou as virgens loucas da parábola do Mestre. (Mateus 25:1 a 8).

Deus diz: "Farei cessar a arrogância dos atrevidos, abaterei a soberba dos tiranos. Farei que um homem seja mais precioso do que ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir." (Isaías 13:11 e 12). Preciosa promessa!


Do trono de Deus, ouve-se uma voz, dizendo: "Louvai o nosso Deus, vós, todos os Seus servos." (Apocalipse 19:5). A palavra "trono" ou "assento" [lugar para sentar-se], ocorre 50 vezes neste livro, 37 vezes referindo-se ao trono de Deus, e 13 vezes ao trono de Satanás. Assim, temos uma guerra entre tronos e os reis que eles representam. Em face ao trono de Deus, o Seu caráter é vindicado e os propósitos do pecado são expostos. Quando o grande juízo se encerra, dois anúncios ecoam do trono, o primeiro: "Está Feito!" E então: "Eis que venho sem demora!"


João vê este poderoso Rei descendo em majestade, a fronte adornada com muitos diademas, pois Cristo é Rei de um reino multiforme, setuplicado: "Rei dos judeus" - pelo povo; Rei de Israel - nacional; Rei de Justiça - espiritual; Rei dos Séculos - histórico; Rei dos santos - eclesiástico; Rei do Céu - celestial; Rei da Glória - supremo. Tudo isto está unido no título: "Reis dos reis" (Apocalipse 19:16).

Quando Jesus venceu a morte e o autor do pecado, privou-o de sua pretensão de realeza. E assim é que Ele desce como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele morreu para que pudesse fazer-nos cidadãos do Seu reino.



Autor: Roy A. Anderson, Revelações do Apocalipse, 2.ª ed., 1988, pág. 203.

Fonte: http://www.jesusvoltara.com.br/selo/vitoria.htm


segunda-feira, 9 de maio de 2011

TENHA CUIDADO COM FALSOS MESTRES

“Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro.” (1 Timóteo 6:3-5)



Paulo iniciou esta carta a Timóteo com alertas sobre falsos mestres “te pedi quando parti para a Macedónia, espero que fiques aí em Éfeso para avisar algumas pessoas que não ensinem outra doutrina“ – 1 Timóteo 1:3. Ele também refutou alguns dos ensinamentos perigosos: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios.” (1 Timóteo 4:1)



Pastores e líderes religiosos, especialmente na igreja local, devem constantemente vigiar o que está sendo ensinado, porque é fácil para falsas doutrinas serem inseridas. “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu vigilantes. Sejam pastores da igreja de Deus, que Ele comprou com Seu próprio sangue. Eu sei que depois que eu sair, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. Há mesmo alguns de vocês que torcerão a verdade só para arranjar adeptos. Então não baixe a guarda! Lembre-se que por três anos, eu nunca parei de alertar cada um de vocês, noite e dia com lágrimas.” (Atos 20:28-31)



Uma das marcas de identificação de um falso mestre é que eles se recusam a aderir ao ensino religioso bíblico – “ Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe” - 1 Timóteo 6:3. No Antigo Testamento o primeiro teste que Isaías fazia para qualquer professor é “se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.” (Isaías 8:20)



Outra marca de um falso mestre é a sua atitude. Em vez de ser humilde, um falso mestre “é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas” – 1 Timóteo 6:4. Eles também “querendo ser doutores da lei, embora não entendam nem o que dizem nem o que com tanta confiança afirmam.” (1 Timóteo 1:7)



Quando não temos professores religiosos que ensinam verdades bíblicas as pessoas são “privados da verdade”, no entanto eles pensam que estão descobrindo a verdade; que tragédia! Para piorar, eles pensam que os argumentos em suas reuniões semanais, durante a qual eles trocam sua ignorância, são um meio de crescer na graça, quando o resultado é exatamente o oposto.



Falsos mestres usam suas profissões religiosas como meio de ganhar dinheiro. Para eles, é apenas um negócio religioso. Que desgraça que é, ver hoje em dia os gângsteres religiosos que atacam as pessoas crédulas, prometendo-lhes ajuda, enquanto tiram seu dinheiro. No entanto, sabemos que a riqueza não é duradoura “porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar” – 1 Timóteo 6:7. E o desejo de riqueza leva ao pecado, porque “os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Timóteo 6:9-10)



Paulo disse para Timóteo para “pregar a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino”- 2 Timóteo 4:2. Seu propósito foi para convencer estes mestres “para que sejam são na fé.” (Tito 1:13)



Os líderes religiosos devem proteger a igreja de ensinos falsos porque as doutrinas falsas se parecem com a levedura. Ela entra secretamente, cresce rapidamente, e penetra completamente (Gálatas 5:9). O melhor tempo para atacar a doutrina falsa é no começo, antes de que ela tenha uma possibilidade de estender-se. Isto é muito importante porque faz a diferença entre a vida e morte, se você acredita a verdade da Palavra ou acredita em mentiras. Você pode escolher o que você quizer acreditar, mas você não vai poder modificar as conseqüências eternas.



Paulo continua dizendo a Timóteo: “Mas tu, homem de Deus, fuja de tudo isso, e sigua a justiça, a piedade, a fé, o amor, a mansidão” – 1 Timóteo 6:11. A palavra fugir aqui refere-se a separação ou se retirar dos pecados destes falsos mestres.



Precisamos lembrar que não toda unidade é boa, e não toda divisão é ruim. Chega um momento em que um servo de Deus deve assumir uma posição contra as falsas doutrinas e práticas ateas, e separar-se delas.

Fonte: http://mvmportuguese.wordpress.com/2011/02/08/tenha-cuidado-com-falsos-mestres-1-timoteo-63-11/

sábado, 30 de abril de 2011

Precisamos de Tua Presença Jesus!

“Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles”. (Evangelho de Lucas 24.29)


Os discípulos de Emaús clamaram: “Fica conosco, Senhor… pois já é tarde e a noite se aproxima”. A “noite” pode ser perigosa! Metaforicamente representa os mistérios que estão fora da nossa capacidade visual, bem como de nosso controle. A noite aponta para o fato de que estamos vulneráveis! Representa nossos medos, solidão e desventuras.


Como suportar a noite? E como podemos encontrar poder para enfrentá-la?


Note que os discípulos se levantam e retornam para Jerusalém! (Lucas 24.33). Eles enfrentaram a noite! Eles perderam o temor de enfrentá-la!


O nosso poder como cristãos não recai na manjedoura de Belém, nem nas relíquias da cruz do Gólgota. Nossa fé e esperança recaem no Cristo Eterno que triunfou sobre a morte!


Como aqueles dois discípulos a caminho de Emaús, muitos de nós, contudo, nos sentimos decepcionados com a religião de nosso tempo; com o fato de tantos líderes religiosos sufocarem a mensagem de Cristo e esconderem-na atrás de mensagens institucionais; com o fato de os lideres religiosos serem às vezes tão zelosos da religião, tão conhecedores da lei, mas tão faltos na prática da justiça e tão ignorantes acerca do amor! (Lucas 24.20-21)


Assim como aqueles discípulos, muitos de nós também não conseguimos perceber a presença de Deus em meio aos pequenos sinais do dia-a-dia. Durante aquela caminhada embalada pela melodia da tristeza, Cristo estava presente, mas não foi reconhecido (Lucas 24.16).


Então, somos surpreendidos pela auto-revelação de Deus! Ele vem ao nosso encontro nos caminhos da vida. Surpreende-nos com sua presença de poder e graça! Altera o sentido da nossa existência! Dá-nos um propósito definido para a vida! Devolve-nos a esperança! Muda nosso rumo! Este é o poder da ressurreição! (Lucas 24.30-32)


Sem a presença do Cristo Ressurreto, o que seria de nós? O que seria de tudo o que fazemos no culto? Qual o sentido das nossas orações? Do louvor? Da adoração? Enfim, qual o sentido da vida, se não tivermos a certeza gloriosa de que não estamos sozinhos? De que Jesus, o Ressurreto, caminha conosco e fica conosco?


Sob o poder do Cristo Ressurreto e na certeza da Sua presença poderosa, enfrentamos “as noites da vida” sem temor ou desespero!


A vida daqueles que tiveram um encontro pessoal com o Cristo Ressurreto jamais será a mesma!




Autor: Rev. Ézio Martins de Lima

segunda-feira, 25 de abril de 2011

VOCÊ É OBEDIENTE AO PASTOR DA SUA IGREJA?


Obedecer - Do latim "oboediscere" - 1. Sujeitar-se a vontade de; 2. Estar sob a autoridade de; estar sujeito; prestar vassalagem; 3. Não resistir, ceder; 4. Estar ou ficar sujeito a uma força ou influência. (Dicionário Aurélio). O cristão que quer ter vitória em sua vida, deve ter um comportamento de obediência em relação ao seu pastor. A obediência as autoridades eclesiásticas é tão significativo quanto orar e jejuar muito. O cristão que desobedece ao pastor, com atos de rebeldia, e não reflete nas regras das autoridades, é um cristão derrotado!


"Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que häo de dar conta delas; para que o façam com alegria e näo gemendo, porque isso näo vos seria útil". (Hebreus 13:17)

O versículo acima nos mostra que a obediência ao pastor tem que ser algo imprescindível na vida do cristão. E por várias razões se tem esse respeito ao líder da igreja: 1. Por ser uma pessoa escolhida por Deus para agir como cabeça, ou seja, para se ter a organização nos departamentos; 2. Pela maturidade do pastor, pois a sua experiência, muitas vezes, excede em muito a de um membro, por isso os conselhos do pastor são baseados no que ele já viu e/ou viveu; 3. Como visto no texto aos Hebreus, eles zelam pelas nossas almas, e irão dar conta de nós. Essa obediência também não deve ser de maneira hipócrita. Não de obedece à frente da autoridade, e depois, às ocultas, viver em murmuração.


"Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, näo servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coraçäo, temendo a Deus". (Colossenses 3:22)

Note neste versículo que a odediência deve ser "temendo ao Senhor", e não temendo ao homem. Não se obedece ao pastor com medo do que o pastor pode fazer, mas se obedece ao pastor temendo a Deus. Deus a tudo vê e nada fica oculto aos seus olhos.


"Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, é soberbo, e nada sabe?. (1 Timóteo 6:3)

Mas toda essa obediência ao pastor, que é bíblica, não pode ser cega! Mas como assim cega? Veja bem, Deus jamais irá confundir a sua vida em nada. "Porque Deus não é Deus de confusão". (1 Coríntios 14:33). Nenhuma ordem de nenhum líder pode ultrapassar a Bíblia Sagrada.

"Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema?. (Gálatas 1:8)

O apóstolo Paulo adverte que ainda que ELE MESMO ou até mesmo um anjo do céu pregar outro evangelho, que seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. Por isso, é responsabiblidade do cristão obediente, ler e estudar as Escrituras com afinco, afinal, ele vai estar obedecendo ao Senhor Jesus, que ordenou em João 5:39: "Examinai as Escrituras". Bom lembrar dos crentes bereanos de Atos 17:11, em que tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e assim aceitavam. E a bíblia diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica, porque receberam a palavra.

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalónica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim". (At 17:11)

O cristão deve analisar a sua obediência à luz das Escrituras, pois toda doutrina deve ser segundo o Evangelho de Cristo, como o apóstolo Paulo ensinou:

"Os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina, SEGUNDO O EVANGELHO da glória do Deus bendito, que me foi confiado". (1 Timóteo 1:10, 11)

A obediência cega é fruto de manipulações, sem livre-arbítrio, característico na maioria das seitas diabólicas. O líder é visto como um semi-deus, e o que ele falar é "Deus falando", independente de estar ou não de acordo com as Escrituras Sagradas. Identificamos essas manipulações, quando os líderes não dão respostas satisfatórias, e dizem que é pecado o membro questionar a liderança, pois o seu dever é "somente obedecer e acabou!" Os versículos bíblicos são isolados, não são claros (podendo ter significado para outros assuntos). Ou seja, nunca há uma base bíblica concreta. Sempre haverá questionamentos e dúvidas por parte dos membros. Jesus, sendo o Filho de Deus, nunca se negou a responder a quem o questionasse:

"E, respondendo alguns dos escribas, disseram: Mestre, disseste bem. E näo ousavam perguntar-lhe mais coisa alguma". (Lucas 20:39,40).

Em todos os Evangelhos voce pode perceber que Jesus citava os livros de Moisés, de Isaías, respondendo aos que o interrogavam, e ainda os deixavam sem resposta, e sem poder perguntar mais nada. Jesus nos deixou o exemplo, para sermos seus seguidores, seus imitadores, em ter conhecimento da Palavra. Quando o cristão não busca conhecimento da Palavra de Deus, e apenas obedece ao pastor, ele deixa de ser servo de Deus, e se torna servo dos homens.

?Fostes comprados por bom preço. Não vos façais escravos dos homens?. (1 Coríntios 7:23)

Perguntar, querer um esclarecimento sobre determinado assunto, não é pecado, jamais o pode ser. Se a dúvida for sincera, se a pergunta é com o real interesse de se obter respostas claras, isso não pode ser visto como carnalidade ou desobediência. Do contrário Paulo e Silas reprovariam os bereanos de Atos 17:11. Ou também Jesus nào responderia aos que o interrogavam em sua época.

"Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidäo de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coraçäo, näo vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa näo é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica". (Tiago 3:13-15)

O líder que é um homem de Deus não cria confusões com invejas, ciúmes de púlpito, e outras intrigas que não caracterizam a sabedoria que do alto vem. Por esse e por outros motivos, o cristão deve buscar o conhecimento da verdade da Palavra de Deus, pois o libertará dos medos, dos achismos, dos ísmos do meio evangélico, que só causam dúvidas, ao invés de fé e crescimento em Deus.

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". (João 8:32)

Ele não diz: "E recebereis oração forte e a oração forte vos libertará..." Toda oração é boa. Creio na oração de libertação, que expulsa os demônios, como Jesus mesmo expulsou demônios dos possessos. Mas o que Ele ensinou a nós? "CONHECEREIS a verdade". O conhecimento da verdade liberta o cristãos das heresias criadas por homens sem temor a Deus.

São muitos os pregadores espalhados pelo Brasil a fora, que adentram igrejas, casas, invadindo intimidades, "sentindo" de chegar na casa dos outros na hora do almoço (e só na hora do almoço, nunca depois), corrigindo os outros com doutrinas de homens (roupas), tirando todo o lazer, a liberdade, o qual Deus nos deu como fruto do suor do nosso rosto. Cheios de malícia e maldade, e sem conhecimento nenhum da palavra de Deus, entregando revelações confusas, causando transtornos a famílias inteiras. E quando algum cristão começa a interrogá-los na Palavra, respondem que não gostam de "teologia". É muita hipocrisia!

É preciso ter muito cuidado nos dias de hoje, pois muitos são os que se acham missionários, evangelistas, pregadores, doutrinadores, exortadores, sem nenhum ensino bíblico, sem amor, sem vida, sem paz.

"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, säo lobos devoradores". (Mateus 7:15)


Autor: Denis de Oliveira
Fonte: http://www.webservos.com.br/gospel/estudos/estudos_show.asp?id=309

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um estudo sobre a origem da Páscoa

O nome e o significado da palavra "páscoa"

O nome que a Bíblia Hebraica usa para denominar "páscoa" é pesah. Com a palavra pesah o texto bíblico quer significar duas coisas:
1. o ritual ou celebração da primeira festa do antigo calendário bíblico (Ex 12.11,27,43,48);
2. a vítima do sacrifício, isto é, o cordeiro pascal (Ex 12.21; Dt 16.2,5-6).
Na Bíblia, o nome de uma pessoa ou instituição é sempre um dado importante para se conhecer o que eles são e o que representam. O nome não é um simples rótulo, uma etiqueta ou uma fachada publicitária, mas ele exprime a realidade do ser que o carrega e representa. Assim é o nome "páscoa".
O substantivo pesah/páscoa vem da raiz verbal psh que aparece três vezes nos relatos pascais (Ex 12.13,23,27; ler também Is 31.5; 1 Rs 18.21,26). Assim, o verbo pasah passar por cima, saltar por cima é o significado que prevalece nos usos deste termo pelos escritores e escritoras da Bíblia. O Prof. Luiz Roberto Alves assim definiu o termo pesah/ páscoa:
"O verbo que dá base ao substantivo pesah tem o sentido de salto, movimento,
caminhada, travessia. Todas as palavras têm história e essa história corresponde às
ações dos homens e mulheres. Os hebreus juntaram à idéia do pesah vários
acontecimentos ligados à idéia de travessia" (Expositor Cristão, 2a. Quinzena, 1984,p. 12).


A origem da Páscoa

Falar de origem da Páscoa é entrar no campo das suposições, pois não há dados suficientes que ajudam a esclarecer sobre essa celebração no período pré-mosaico. Todavia, os textos do Antigo Testamento fornecem indicações que a Páscoa, em suas origens, foi um ritual ou cerimônia que incluía as seguintes características:
a) O ritual era realizado no seio da família ou clã; não tinha altares, santuários e sacerdotes ou qualquer influência do culto oficial;
b) Era celebrado por pastores nômades ou seminômades;
c) O ato central desse ritual era o sacrifício de um jovem animal do rebanho de cabras ovelhas;
d) A cerimônia ocorria no fim da primavera e início do verão (mês de abril), numa noite de lua cheia;
e) O ritual da celebração pascal incluía as seguintes etapas:
- Retirava-se o sangue do animal,
- Ungia a entrada das cabanas com o sangue do animal,
- Assava a carne do animal,
- Com a carne assada, fazia um grande banquete para a família reunida,
- O banquete oferecido incluía a presença de pães ázimos ou asmos, ervas amargas nascidas no deserto,
- A celebração da Páscoa exigia dos participantes desse ritual as seguintes
posturas:

Ter uma atitude de marcha e pressa,
Usar vestimenta para viagem,
Ter as vestes amarradas na cintura,
Atar as sandálias nos pés,
Ter o cajado de pastor na mão.
f) Parece que o objetivo dessa cerimônia era pedir proteção divina, para a família e o seu rebanho de animais menores contra o exterminador (no hebraico, maxehit - Ex 12.13, 23) ou saqueador, bando de destruição (1 Sm 13.17; 14.15; Pr 18.9). O exterminador maxehit pode ser qualquer tipo de agressor, desgraça, enfermidade, peste ou acidente que poderia ocorrer com qualquer membro da família ou os seus animais.
g) Provavelmente, esse ritual foi celebrado por Abraão, Isaac e Jacó, pois eles eram pastores. A cada ano, na primavera, quando o vento quente do deserto, anunciando o verão, atingia e queimava as parcas pastagens das ovelhas, os pastores, suas famílias, bem como os seus rebanhos eram obrigados a buscar outros lugares para dar de comer as suas ovelhas.
A Páscoa celebrada pelos israelitas: da sedentarização até o início da Monarquia (1200 - 1040 a.C.).
Evidentemente que o sistema de vida dos israelitas mudou substancialmente após a chegada a Canaã.
a) O povo israelita deixou de ser semi-nômade e deu início ao processo de sedentarização. Paulatinamente, o povo foi se tornando agricultor, embora parte dele continuou na vida pastoril, especialmente, as clãs que permaneceram vivendo nas localidades periféricas do território da terra de Israel.
b) Ao se fixar nas terras agrícolas, os israelitas aproximaram-se dos cananeus. Foi aí que o povo do êxodo conheceu algumas festas relacionadas ao mundo agrícola. Entre essas instituições estão as festas agrícolas, como Ázimos, Semanas e Colheitas.
c)Foi nesse período de difícil adaptação que se dá a integração da Festa dos Pães Ázimos e a Páscoa. As duas celebrações ocorriam no mesmo período.
d) No período entre a chegada do povo israelita à Canaã e a sedentarização ocorreu uma profunda transformação no significado da Páscoa.
• O conteúdo e a forma da cerimônia da primitiva da Páscoa já não respondem as condições de vida atuais do povo israelita. Exigiam-se modificações.
• Apesar da Páscoa manter boa parte de seu antigo ritual, o povo israelita procurou encontrar outros motivos para a celebração.
• A cerimônia continuou a ser celebrada em família, mas a Páscoa deixou de ser um ritual ligado à troca de favores divinos, para tornar-se uma memória da ação de Deus, salvando o povo hebreu da escravidão.
e) O mais primitivo ritual da Páscoa encontra-se em Êxodo 12.21-28.
Estudo Bíblico: Ex 12.21-28
I. Instrução de Javé para Moisés e Aarão - v. 21-27a.
1. Introdução: Moisés convocou todos os anciãos de Israel e disse-lhes:
2. A instrução para a missão de Moisés e Aarão - v. 21b-27a.
2.1. Instruções para a Páscoa - v. 21b-22


Tirai,
Tomai um animal do rebanho segundo as vossas famílias e
Imolai a Páscoa.
Tomai alguns ramos de hissopo,
Molhai-o no sangue que estiver na bacia, e
Marcai a travessa da porta e
os seus marcos com o sangue que estiver na bacia;
Nenhum de vós saia da porta de casa até pela manhã


2 - Razão para celebrar a Páscoa - v. 23
e Javé passará para ferir os egípcios;
e quando Ele vir o sangue sobre a travessa,
e sobre os dois marcos,
Ele passará adiante dessa porta,
e Ele não permitirá que o exterminador entre em vossas casas para vos ferir.

3 - Ordem para a celebração da Páscoa - v. 24-25
Observareis esta determinação como um decreto para vós
e para vossos filhos, para sempre.
Quando tiverdes entrado na terra que Javé vós dará, como disse,
Observareis este rito.


4 - Explicação sobre a festa e o significado no nome ´páscoa` - v. 26-27a.
Quando vossos filhos vos perguntarem: "Que rito é este?"
Respondereis:
"É o sacrifício da Páscoa para Javé
que passou adiante das casas dos filho
Então o povo se ajoelhou
e se prostrou.
Foram-se os filhos de Israel
e fizeram isso, como Javé ordenara a Moisés e a Aarão,
assim fizeram.


Comentando:

A forma literária com a qual este ritual foi elaborado é perfeita.
Primeiro, o texto mostra Moisés convocando os anciãos do povo, a mando de Javé (conforme Ex 12.1), para preparar a festa da Páscoa (v. 21b-22).
Segundo, Moisés instrui, com detalhes, os anciãos para preparar os elementos que comporiam o ritual (v.21b-22).
Terceiro, Moisés fornece as razões para aquele ritual, bem como o uso do sangue de uma ovelha e o hissopo (planta aromática - Nm 19.6; Sl 51.9): o motivo da festa é afugentar o medo do vento exterminador que ameaça as casas do povo hebreu (v. 23).
Quarto, a ordem para celebrar a Páscoa tem uma dimensão profética. A Páscoa vai além da contagem do tempo humano, cronológico. A celebração não encerra um simples agradecimento, pela libertação da escravidão e a concessão da terra para morar, criar a família e plantar para obter o alimento. A celebração possui a dimensão profética da contínua presença salvadora de Deus junto ao seu povo. Jesus captou essa amplitude da celebração quando disse: "Fazei isso em memória de mim... até que Ele venha" (1 Co 11.24b e 26b).
Quinto: os versos 26-27a providenciam a explicação do nome "Páscoa" para as gerações e gerações de salvos da escravidão. Com isso, o texto bíblico quer mostrar que essa celebração da Páscoa possui uma novidade. Ela não é mais dominada pelo medo do Faraó ou dos outros possíveis "exterminadores" que possam haver nos caminhos do povo de Deus. A celebração da Páscoa, do povo liberto e instalado na terra de Canaã, passa a ser marcada pela alegria e certeza da presença de Deus entre o povo liberto e salvo.
Sexto: os versos 27b-28 assinalam o cumprimento da ordem divina para celebrar a Páscoa.

Observações
(1) A prescrição sobre a celebração da Páscoa (Ex 12.21-28) é legitimada pelo editor do livro de Êxodo. Assim, o cabeçalho deste capítulo (Ex 12.1) afirma que a prescrição da Páscoa (12.21-28) é autorizada por Javé. Eis a sua lógica:
1. Javé comunica a Moisés e Aarão;
2. Moisés e Aarão ouvem as ordens de Javé;
3. Moisés e Aarão obedecem e comunicam aos anciãos de Israel.
(2) A celebração continuava a ser celebrada em família. A Bíblia ensina que a família constitui o fundamento para o projeto de sociedade que Deus propõe para a humanidade.
(3) Foram mantidos vários elementos na celebração: ovelhas e ramos de hissopo (erva aromática). Evidentemente que houve algumas modificações, em razão da nova situação de vida do povo, agora, vivendo em Canaã.
(4) Todavia, a antiga Páscoa foi "relida" e "re-significada". O antigo culto dos pastores semi-nômades possuía a função de controlar as forças da natureza. Por exemplo, os povos anteriores aos hebreus acreditavam que oferecendo em sacrifício o filho primogênito, poderia controlar a bênção e a ira divina. Como na cerimônia da primitiva páscoa, os pastores acreditavam que poderiam amenizar a ira divina do "vento destruidor".
(5) Na verdade, o povo bíblico tomou antigos costumes dos povos vizinhos e os converteu em instrumentos de preservação e ensino da fé. No caso da Páscoa, o povo bíblico tomou uma cerimônia pagã, que girava em torno de uma magia, e a transformou em um sinal da presença salvadora de Javé. Em outras palavras, a nova celebração da Páscoa mostra que a fé não é um dado doutrinário ou mágico, mas um gesto história de Javé.

IV - Da sedentarização do povo de Israel ao período monárquico.
Após os acontecimentos que envolveram a saída do Egito - a difícil caminhada pelos desertos, os muitos "sinais e maravilhas" realizados por Javé e o cumprimento da promessa de "uma terra que mana leite e mel" - o povo bíblico juntou à idéia da Páscoa aos acontecimentos acima descritos. A Páscoa dos nômades deixou de ser uma cerimônia mágica que procurava afugentar o medo do "exterminador", que se supunha estava próximo, para se tornar uma afirmação concreta da plena liberdade que Javé dá.
• Foi nesse momento que o povo bíblico tomou consciência que a sua fé em Javé não era uma formalidade a mais entre os povos do Antigo Oriente. Javé não é definido pelo seu ser, mas pela sua atuação na história: Ele ouviu o grito angustiado dos/as escravos/as do Egito e providenciou os meios para a libertação deles (Ex 3-4);
• A celebração da Páscoa, agora reformulada e "re-significada", passa afirmar que a fé bíblica é histórica, e que tem seu fundamento nos acontecimentos salvíficos relatados nos livros de Êxodo, Números e Deuteronômio, especialmente;
O outro ritual da Páscoa, relatado em Êxodo 12.1-14, provavelmente, representa a segunda forma litúrgica mais primitiva, entre todas incluídas no Antigo Testamento. Ao tornar-se sedentário, o povo de Israel mudou substancialmente seu sistema de vida:
• de escravos tornaram-se livres;
• de pastores tornaram-se agricultores;
• de semi-nômades tornaram-se sedentários.

• A história da salvação do Egito não é ensinada, nas casas e nos cultos, como uma doutrina, mas como um fato histórico, isto é, um milagre de Deus ocorrido na história de seus pais;
• A fé em Javé, através da celebração da Páscoa, tornou-se uma força transformadora;

• do medo à coragem;
• da magia a atos concretos da atuação de Javé;
• da escravidão à liberdade.

• O nome da festa, pesah saltar - o saltar do vento destruidor, demoníaco - passa significar, em conexão com a história de libertação dos hebreus, passar por cima de, saltar para a liberdade;
• O sacrifício de um cordeiro deixa de ser um simples sacrifício de sangue para se tornar uma memória dos atos salvíficos de Javé. Por isso, a celebração da Páscoa passa a ser prescrita como "um Páscoa para Javé".


V - A Páscoa no período monárquico.
• Há silêncio sobre a celebração da Páscoa, exceto o profeta do Reino do Norte Oséias que critica o povo pela ausência da celebração Os 12 ).

VI - Da celebração caseira para a cerimônia no Templo de Jerusalém.
O rei Josias (642-609 antes de Cristo) empreendeu uma ampla reforma no Reino de Judá (O Reino de Israel já tinha sido destruído em 722 a.C.).
• Por determinação do rei Josias, a Páscoa passou a ser celebrada, oficialmente, no Templo, em Jerusalém (Dt 16.1-8);
• A reforma equipara a Páscoa a uma festa de peregrinação (ver a coleção "Salmos das Subidas" (Sl 120-134);
• O gado maior (boi ) passa a ser admitido como vítima para o sacrifício;
• Surgiu a permissão para cozer a vítima, em lugar de assá-la;
• A memória do êxodo do Egito continuou sendo o motivo principal da celebração.

VII - A Páscoa no exílio babilônico (598-537 anos antes de Cristo)
Durante o exílio na Babilônia, o povo exilado desenvolveu a esperança de que Javé poderia libertar, de novo, Israel. Este tema é muito abordado pelo profeta anônimo do exílio, cujas palavras foram editadas no livro de Isaías, capítulos 40 a 55.
• Desaparece a atividade cultual no Templo (destruído em 587 a.C.). Surge a Sinagoga e cresce a produção literária;
• Volta o sacrifício da rês menor (ovelhas e cabras);
• A celebração volta para a família e o ritual de sangue volta a ter o sentido de símbolo da defesa contra o "exterminador";
• Percebe-se pequenas variações na celebração:
1. não jogar fora algumas partes do animal sacrificado;
2. não quebrar os ossos do animal sacrificado;
3. permissão para celebrar a Páscoa no 2o. mês para quem não pôde sacrificar no 1o. mês (Nm 9.1-14);
4. passou a ser permitida a participação de estrangeiros.

• Começou aparecer uma distinção entre Páscoa e Ázimos, como celebrações distintas:
Festa dos Ázimos: nos dias 1 a 7 do primeiro mês do ano;
Festa da Páscoa: no dia 14 do mesmo mês.

VIII - Páscoa no período Grego
• Os livros de 1 e 2 Crônicas e Esdras indicam que a Páscoa preservou alguma cerimônia para o Templo, mas a refeição pascal foi mantida no templo;
• O gado maior foi readmitido como parte da cerimônia;
• A carne deve ser assada e não cozida;
• O leigo executa o ritual de sangue (2 Cr 30.21; 35.11);
• Páscoa e Ázimos voltam a integrarem-se;
• O levita passa a ter um papel relevante na celebração;
• A música passa a ser parte da celebração;
• O copo de vinho passa a ser parte da cerimônia;
• A Páscoa retornou ao Templo como parte do culto oficial, mas preservou-se a refeição para o ambiente familiar.


Resumindo

1. A Páscoa pré-mosaica é marcada pelo medo do exterminador maxehit. O ritual tinha algo de "magia" para afugentar os males. É bom lembrar que, nessa época, o povo sacrificava os primogênitos recém-nascidos para ganhar favores divinos (conforme Gn 22);
2. O povo bíblico tomou todos os costumes e práticas pagãs e os passou pelo crivo da fé javista. Tanto no sacrifício dos primogênitos (Gn 22), como no ritual da Páscoa, o povo bíblico converteu tais cerimônias às práticas e confissões de fé javistas. Em ambas situações, o medo prendia as pessoas e forçava-as a praticarem cerimônias inúteis e criminosas. Foi Javé quem abriu os olhos do povo bíblico. Este se tornou um missionário entre as nações para anunciar as boas novas: "Não temais! Eis que vos trago uma boa nova que será para todo o povo" (Lc 2.10). A Páscoa anuncia o fim do medo e, conseqüentemente, a confirmação da confiança em Deus.
3. A celebração da Páscoa não é uma cerimônia de nostalgia do passado; não é uma festa da saudade onde heróis e heroínas são lembrados/as por seus atos de valentia; também não é um ritual que procura romantizar o passado, lembrando e homenageando certas figuras da história.
4. Na Bíblia, dois verbos sobressaem-se: "lembrar" e "esquecer". Quando a Bíblia apela para que o povo lembre dos grandes atos de Javé (conforme Ex 13.3), ela está procurando construir o futuro da nação. A memória dos grandes atos salvíficos de Deus mobiliza a fé da sociedade e fortalece o povo para esperar as boas novas do Reino de Deus. Esquecer o que Deus fez e faz significa a tragédia da humanidade.
5. Celebrar a Páscoa é resgatar os atos salvíficos de Deus no passado, acreditando que Ele possa fazer o mesmo, entre nós, no dia de hoje. A memória do passado salvífico - seja da libertação no Egito, seja da vida e obra de Jesus Cristo - restaura as forças dos/as crentes celebrantes para o testemunho.
6. Na verdade, a memória carrega o sentido de redenção, seja dos atos salvíficos de Deus, através da história, bem como a redenção das causas justas do passado. Assim, a memória resgata tanto a vida e obra de Jesus como a luta dos pobres pela dignidade de viver. Pela memória, redimimos o desejo e a luta deles. Assim, se esquecermos os desafios do povo de Deus no Antigo Testamento, os ensinos de Jesus Cristo ou os anseios justos do povo fiel, pomos a perder o sentido desses projetos. A intenção da celebração da Páscoa afirmar que cada geração de celebrante tem o dever de pôr em prática os verdadeiros e justos projetos das gerações do passado.

Autor: Tércio Machado Siqueira, professor de Antigo Testamento da FaTeo
Fonte: http://www.metodista.br/fateo/materiais-de-apoio/estudos-biblicos/um-estudo-sobre-a-origem-da-pascoa